+39_342_1427879   info@air-fashion.com    
Sua língua
Moeda

    Registar-me  

  CARRINHO


 BLOGUE DE MODA


 NOTÍCIAS   TENDÊNCIAS, COLEÇÕES E DESFILES   MODA E ESTILO DE VIDA   MARCAS E A HISTÓRIA DA MODA
 Pesquisa rápida 


MARCAS E A HISTÓRIA DA MODA


  voltar à lista de artigos  

O BOLSO ATADO à CINTURA NO LUGAR DA BOLSA: COMO AS MULHERES LEVAVAM TUDO DE QUE PRECISAVAM MUITO ANTES DOS ACESSóRIOS

* O nosso blog air-fashion.com não é periódico e não é uma publicação jornalística (Lei 62/2001). Conteúdos para crítica e resenha; marcas e imagens pertencem aos respetivos titulares (uso, quando necessário, limitado para citação/comentário nos termos do art. 70 da Lei 633/1941, com indicação da fonte quando disponível). Para reclamações de direitos de autor, contacte-nos: iremos verificar e, se necessário, remover.


Novidades: bolsas de designer femininas e masculinas

ERMANNO Ermanno Scervino

Braccialini

ARCADIA

BRIC'S

M*BRC

Muito antes de a bolsa se tornar uma parte indispensável da imagem feminina, a sua função era desempenhada por um objeto completamente diferente: o bolso removível, ou bolso atado à cintura. Esses bolsos surgiram ainda no século XVII e, durante muito tempo, continuaram a ser para as mulheres uma forma prática e confortável de levar consigo tudo o que era essencial. Em essência, foram eles os verdadeiros precursores da bolsa moderna.

Enquanto o vestuário masculino já havia adotado há muito tempo os bolsos embutidos, no guarda-roupa feminino a história foi outra. As mulheres recorriam a bolsos de tecido separados, amarrados à cintura e usados sob as saias. Na maioria das vezes, tinham formato alongado ou em pera e uma abertura na parte superior ou frontal, o que permitia alcançar rapidamente o conteúdo. Às vezes usava-se apenas um, às vezes um par e, por vezes, vários ao mesmo tempo. 

 


Nesta gravura neerlandesa de cerca de 1595, realizada a partir de uma composição de Jan van der Straet, conhecido como Stradanus, já se percebe numa cena cotidiana um bolso feminino preso à cintura — um precoce protótipo da bolsa.


Reconstrução dos trajes femininos com base na gravura

 

Há também uma hipótese bastante sugestiva: os bolsos externos pendentes podem ter se consolidado justamente no mundo protestante, num contexto em que contenção, utilidade prática e funcionalidade doméstica eram especialmente valorizadas. Ao contrário da moda cortesã, concentrada na silhueta, no luxo e na ornamentação, aqui importava menos o efeito visual do acessório do que a sua função. Um bolso assim servia menos para adornar o vestido do que para servir a sua dona: permitia carregar dinheiro, chaves, pequenos instrumentos e tudo aquilo que era necessário no dia a dia. No início, tinha um aspecto pouco decorativo, simples e até severo — um objeto criado não para exibição, mas para o uso real.

A principal vantagem de um bolso assim estava justamente na comodidade. Ele não dependia de um vestido específico: podia ser retirado, amarrado a outra roupa, guardado numa gaveta ou pendurado no encosto de uma cadeira. Para mulheres que precisavam se movimentar muito, trabalhar em casa, fazer recados ou viajar, isso era especialmente importante. Em contextos mais formais, o bolso ficava escondido sob as anáguas; já na vida cotidiana, sobretudo entre mulheres trabalhadoras, podia ficar mais próximo do avental, para que tudo o que fosse necessário permanecesse literalmente à mão. 

 


Par de bolsos acolchoados de seda, Inglaterra, 1740; um de um par de bolsos de linho bordados em seda, Inglaterra, 1700–1725. Muito antes da bolsa, o bolso podia ser não apenas prático, mas também uma parte genuinamente decorativa do traje feminino.


Par de bolsos de algodão bordados, França, 1800–1829; bolso de veludo com motivo heráldico, Alemanha, bordado 1775–1800, confeccionado em 1840–1850. Essas peças mostram como um bolso utilitário foi gradualmente ganhando complexidade, ornamentação e uma linguagem própria de estilo.

 

O tamanho desses bolsos era muitas vezes surpreendentemente generoso. Muitos exemplares preservados mostram que cabia neles muito mais do que se poderia imaginar. Não se tratava de pequenos enfeites delicados, mas de verdadeiros espaços funcionais para guardar pertences pessoais. Eram feitos dos mais diversos materiais, do linho simples ao couro e aos tecidos mais caros. Alguns pareciam extremamente sóbrios; outros eram decorados com bordados, ornamentos, motivos florais e até as iniciais da proprietária. Assim, esse objeto conseguia reunir praticidade e estilo pessoal. 

 


A boneca Lady Clapham, Inglaterra, 1690–1700. Esta imagem em miniatura é especialmente valiosa porque preserva não apenas a silhueta da época, mas também um importante detalhe do cotidiano: o bolso escondido no sistema das roupas de baixo.
A reconstrução do traje de Lady Clapham mostra como um conjunto assim funcionava na vida real: complexo, em camadas e surpreendentemente prático, com o bolso como parte da arquitetura cotidiana do vestir feminino.

 

É revelador que a própria lógica desse bolso não tenha desaparecido nem mesmo depois da Revolução Francesa. Na virada do século XVIII para o XIX, a moda feminina muda de forma radical: entram no guarda-roupa os vestidos leves de cintura alta, uma nova silhueta mais alongada e pequenos ridicules — as primeiras mini bolsas verdadeiramente na moda da nova época. Ainda assim, o bolso atado à cintura não desaparece com o velho traje. Pelo contrário, continua por muito tempo como uma forma familiar e prática de levar consigo tudo o que era necessário. 

 


“A Valsa”, fragmento de uma aquarela de Edward Francis Burney, Inglaterra, final do século XVIII — início do XIX. Esta cena registra um momento de virada na moda: junto com a nova silhueta, entram também novos acessórios no guarda-roupa feminino, mas o hábito de manter por perto tudo o que é essencial continua fazendo parte do cotidiano.


Reconstrução do traje a partir da aquarela "A Valsa"

 

Mas afinal, o que as mulheres levavam nesses bolsos? Pelos testemunhos históricos, o conteúdo era bastante variado. Ali se guardavam dinheiro, chaves, dedais, tesouras, almofadinhas de alfinetes, canivetes, lenços, bilhetes, pequenas ferramentas de trabalho, óculos e até objetos valiosos de pequenas dimensões. Para as criadas, as chaves no bolso eram um sinal de confiança por parte dos patrões. Para comerciantes, trabalhadoras e proprietárias de lojas, o bolso se transformava num kit móvel de trabalho com tudo o que era necessário para as tarefas do dia a dia. 

Para muitas mulheres, o bolso era também um espaço de segurança pessoal. Numa época em que havia muito menos possibilidades de guardar bens de forma separada e segura, o que era mais valioso era carregado junto ao corpo. Ali eram colocadas bolsas de moedas, joias, relógios, documentos, lembranças, cartas e outros objetos que não se queria exibir. O bolso cumpria várias funções ao mesmo tempo: protegia, escondia, organizava o espaço e dava uma sensação de autonomia. 

 

 

O estereótipo difundido de que os bolsos femininos eram apenas um amontoado caótico de todo tipo de coisa é, na verdade, desmentido pelas fontes históricas. Pelo contrário, as mulheres costumavam distribuir seus pertences com bastante lógica: alguns itens num bolso, outros no outro, para encontrar rapidamente o que fosse preciso. Não era desordem, mas um sistema prático, perfeitamente ajustado ao ritmo da vida cotidiana.

Existe também outro lado na história desses bolsos. Sua posição oculta os tornava úteis não apenas para guardar objetos comuns, mas também para esconder aquilo que se desejava manter fora de vista. É precisamente por isso que referências a bolsos aparecem com frequência em documentos judiciais: em casos de roubo, perda e outros incidentes, o conteúdo era descrito em detalhe. Graças a esses registros, hoje podemos compreender o quanto esse objeto era importante na vida cotidiana das mulheres.

Com o tempo, os bolsos removíveis começaram a desaparecer. A razão não estava apenas na popularização das bolsas, mas também na transformação da própria roupa feminina. Mudavam as silhuetas dos vestidos, o corte das saias e as técnicas de confecção, e usar um bolso volumoso sob a roupa se tornava cada vez menos prático. Gradualmente, esse formato perdeu sua necessidade prática e saiu de uso.

Ainda assim, a própria ideia nunca desapareceu. A história do bolso removível lembra que a necessidade de bolsos confortáveis, espaçosos e funcionais sempre existiu. Em essência, o debate sobre por que a roupa feminina ainda hoje oferece tão poucos bolsos realmente úteis já dura mais de um século. Por isso, o antigo bolso removível pode ser visto não apenas como um detalhe doméstico do passado, mas como um símbolo de independência feminina, praticidade e do direito de carregar consigo tudo o que é necessário.





Comentários

Nome
E-mail
Texto do comentário



* Este blog air-fashion.com não representa uma publicação jornalística nos termos da Lei 62/2001 e é atualizado sem periodicidade fixa. Os conteúdos são publicados exclusivamente para fins de informação, crítica e resenha. Marcas e imagens pertencem aos respetivos titulares e são utilizados, quando necessário, de forma limitada para citação/comentário nos termos do art. 70 da Lei de 22 de abril de 1941, n.º 633, com indicação da fonte quando disponível. Os comentários constituem uma área de discussão (tipo fórum; comentários moderados). Caso um titular de direitos entenda que um conteúdo publicado no site viola direitos de autor, direitos de imagem ou outros direitos, poderá comunicá-lo indicando o URL da página, o material contestado e a prova da titularidade. Procederemos prontamente à verificação e, quando apropriado, à remoção ou à atualização dos créditos.


 voltar à lista de artigos  

Bolsas de couro Made in Italy: pelo que estamos realmente pagando?
14-JUN-2026

Massimo Braccialini: a liberdade criativa no espírito de Carla Braccialini.
28-ABR-2026

Looney Tunes nas bolsas Braccialini: os personagens mais queridos da infância em um novo formato
28-MAR-2026

O regresso do chic selvagem: porque o animal print volta à moda em 2026
11-MAR-2026








Italiano     English     Русский     Deutsch     Español     Français     العربية     日本語     中文     Português     Polski

© Copyright AIRFASHION 2012-2023 | Direitos autorais reservados. É proibida a reprodução total ou parcial dos conteúdos do site sem autorização por escrito.
D’Addazio S.r.l.s. & Via Roma SN - 64011 Alba Adriatica (TE) - Italy
Tel.: +39_342-_1427879, +39_0861-_751297; Fax: +39_178-_2710534 info@air-fashion.com
P.Iva IT02028150676 - iscriz. alla camera di commercio N° REA TE-173257 PEC: daddazio.srls@pec.it

Ao continuar a navegar neste website, você concorda com o uso de cookies com o objetivo de facilitar o acesso ao painel de controlo no site.
Para mais informações e para gerir as preferências do seu navegador относительно cookies: leia aqui. Ler Privacy